Ontem tive um jantar completamente diferente de todos os outros: um jantar Focus group.
Uma marca, que ninguém sabia qual, tinha pago a uma empresa para fazer uma pesquisa de mercado qualitativa, a vários grupos de pessoas diferentes: as mães, os avós, os jovens... E a noite de terça-feira estava reservada para os jovens.
Éramos nove, 5 homens e 4 mulheres, que iriam falar sobre um tema específico, durante o jantar. À chegada ao Restaurante “Clube dos Jornalistas” fomos apresentados às pessoas com quem iríamos partilhar uma refeição pela noite adentro, e depois respondemos a um pequeno questionário (qual o ingrediente que usamos mais e menos quando cozinhamos? Quais os pratos que cozinhámos na última semana? O prato favorito de peixe e de carne? E qual a refeição preferida? Por ex: lanche).
A moderadora do debate distribuiu-nos pela mesa, e dois anotadores sentaram-se nas extremidades da mesa oval, para não perderem pitada da conversa.
Foi um jantar bastante animado, a moderadora foi lançando perguntas e todos fomos respondendo: uns falavam mais do que outros (eu e a J. fazíamos a festa) e foi engraçado ver os diferentes pontos de vista, as diferentes relações com a comida, com as compras e os critérios pelos quais, cada um se regia.
O grupo
O advogado divorciado e com dois filhos que “tinha uma senhora” (era assim que ele dizia) que ia às compras e tratava da casa. Este indivíduo não sabia nem pôr os cereais no leite. E tinha uma pancada forte por iogurtes.
O advogado que sabia cozinhar, que estava sempre cheio de trabalho, e que o critério dele para escolher um supermercado era pela hora a que fechava. Já tinha experimentado todo o tipo de comida congelada, era um expert na matéria.
A arquitecta que só comia alimentos biológicos e do Celeiro. Raramente falava, e só dava a sua opinião, sempre curta, quando lhe faziam a pergunta directamente.
O rapaz de uma família grande, que tinha que ter sempre carne em casa. Uma família cheia de tradições, e uma mãe boa cozinheira, que quando recebia convidados, confessava o pecado excepcional da sobremesa já comprada.
A casada, que dominava os preços, os supermercados, as marcas. Fugia da gordura (no geral), a sete pés. Fantástica cozinheira (falo por conhecimento de causa) e viciada no site vaqueiro.pt.
A médica (acho que era), que comprava muita comida congelada, que usava a medida “a olho”, que gostava de inventar receitas, e recebia muitos tupperwares cheios de comida made in casa da mãe.
A jornalista, que não vivia sem sopa e legumes frescos. Que tinhas as duas famílias a cozinhar muito bem, e que avaliavam os seus cozinhados à lupa. Fã por tudo o que era português, confessou um pecadilho: uma vez teve que comprar uma perna de borrego da Nova Zelândia.
O giro/simpático de fato, absorvia todas as opiniões, fartou-se de aprender. Descobriu que existem marcas de frangos. Para ele era tudo igual. E estava rendido à tão famosa Bimbi, fazia tudo com este aparelhómetro.
E o último, vamos-lhe chamar o número 9, que não me marcou. Não me lembro quase nada dele, apenas que era fã da marca Pingo Doce.
Adorei a experiência.