Estranhos
Quando era pequenina os meus pais ensinaram-me que não deveria falar com estranhos, não deveria aceitar nada dos estranhos, não deveria confiar nos estranhos. A mensagem foi bastante clara mas nem sempre cumpri o que devia.
Quando comecei a ir sozinha do colégio para casa, ia de comboio que era directo, fui várias vezes abordada por estranhos, havia dias que os ignorava e outros que lhes dava conversa. Lembro-me de um homem que do nada me ofereceu um rebuçado, e eu respondi-lhe peremptoriamente: “A minha mãe diz que não devo aceitar nada de estranhos. Obrigada.” O homem ainda insistiu mas eu fui à minha vida. Mas nem sempre fui obediente.
Lembro-me que enquanto esperava na estação pelo meu comboio para ir para casa, fiz amizade com uma mulher de 30 e tal anos, com quem conversava imenso e que me oferecia gelados. Quase sempre apanhávamos o mesmo comboio. Lembro-me também de uns velhotes que do lado de fora do muro do colégio metiam conversa comigo e com os meus amigos. Esta última contei à minha mãe, por acaso, e as educadoras nunca mais permitiram que nos aproximássemos do dito muro. E este tipo de memórias assustam-me.
Estava eu a ter esta conversa toda com o F. e ele disse que não tinha qualquer historial com estranhos porque só começou a ir sozinho do colégio para casa a partir do 9º ano. E é o que vamos fazer com o Francisco.
Quando comecei a ir sozinha do colégio para casa, ia de comboio que era directo, fui várias vezes abordada por estranhos, havia dias que os ignorava e outros que lhes dava conversa. Lembro-me de um homem que do nada me ofereceu um rebuçado, e eu respondi-lhe peremptoriamente: “A minha mãe diz que não devo aceitar nada de estranhos. Obrigada.” O homem ainda insistiu mas eu fui à minha vida. Mas nem sempre fui obediente.
Lembro-me que enquanto esperava na estação pelo meu comboio para ir para casa, fiz amizade com uma mulher de 30 e tal anos, com quem conversava imenso e que me oferecia gelados. Quase sempre apanhávamos o mesmo comboio. Lembro-me também de uns velhotes que do lado de fora do muro do colégio metiam conversa comigo e com os meus amigos. Esta última contei à minha mãe, por acaso, e as educadoras nunca mais permitiram que nos aproximássemos do dito muro. E este tipo de memórias assustam-me.
Estava eu a ter esta conversa toda com o F. e ele disse que não tinha qualquer historial com estranhos porque só começou a ir sozinho do colégio para casa a partir do 9º ano. E é o que vamos fazer com o Francisco.
Comentários
Mas como filho de peixe sabe nadar, sabemos lá nós se o Francisco não vai ser igual à mãe, a dar conversa a qualquer um na estação...