quarta-feira, 31 de julho de 2013

Medo do escuro

Se há coisa que tenho é medo do escuro. Até na minha própria casa, quando a meio da noite tenho que me levantar para ir acalmar os meus filhos que estão a chorar. Mas aqui no hospital tive mesmo que combater esta parvoíce. Não tive outra hipótese.

O hospital onde estou internada é de 1800 e tal (não, não é uma metáfora, é mesmo esta data), portanto é o cenário perfeito para um filme de terror. À noite desligam todas as luzes da nossa ala, e no corredor ficam apenas 2 luzes de presença minúsculas instaladas nos rodapés, mais as luzes das casas de banho dos homens e mulheres (que é no fim do corredor, pois claro!).

Duas das noites que passei em claro, fui-me sentar nas cadeirinhas à porta da casa de banho das senhoras para conseguir ler, e passar o tempo. Agora imaginem, uma das minhas coleguinhas de quarto apanhou um susto comigo, porque quando virou a esquina do corredor para o wc, estava lá a múmia da Raquel de perna cruzada a ler um livro.

Para castigo, aconteceu-me o mesmo. A única diferença é que era um homem, de pijama, com ar acabrunhado, sentado lá no dito banquinho, à porta da casa de banho das mulheres (quando o wc dos homens é o penúltimo no corredor). Morri de medo. Mas tinha mesmo que ir à casa de banho, e entretanto ouvi os passos do homem a afastar-se.

Acho que depois desta, estou pronta para ser guarda nocturno!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Flash Mob Papal

Fui sou eu que achei que a visita do Papa Francisco ao Brasil virou arraial? Que a excitação de o receber tomou proporções ridículas? Segui minimamente os dias da sua visita, e aquilo mais parecia a abertura dos Jogos Olímpicos. E o culminar de tanta loucura desmedida? O Flash Mob Papal. Eu estava incrédula, boquiaberta a ver as imagens na televisão. Nem o Ricardo Araújo Pereira conseguia lembrar-se de um sketch tão bom.

Agora comparem a nossa recepcção ao Papa Bento XVI no Terreiro do Paço, e a do Brasil ao Papa Francisco...acho que a única coisa em comum foi o facto de os papas estarem os dois de branco...

Mudar o nome do blog

Assim como assim eu nunca mais saio daqui, nem tenho uma data prevista (que é sempre animador), estou a pensar em mudar o nome deste blog para "Conta-me uma história no hospital". O que é que acham?

E pronto assumo de uma vez por todas a temática da minha nova casa. Estou até a pensar entrar no look-hospital, aproveito os saldos e compro um robe (já com borboto e tudo), uma camisa de noite rosa-velho daquelas até aos pés, um chinelo daqueles felpudos com bordados pirosos. E depois é só andar desgrenhada.

Aceitam-se sugestões de nomes para o blog.

Hoje estou nesta animação toda.

45 kg

Já ouvimos falar das dietas dos 30 dias, dos 2 dias, da tia Roquette, da alcachofra eu sei lá... Mas se querem mesmo emagrecer é fazer a dieta do hospital. Não falha.

Neste fim-de-semana que estive em casa, ganhei coragem e subi à balança, estou a pesar 45kg! Até me vieram as lágrimas aos olhos, não de alegria, mas de tristeza. Não me lembro alguma vez de ter pesado tão pouco nos últimos 20 anos. Para conseguirem visualizar os números melhor, meço 1,57cm, e costumo pesar 48kg. O meu novo peso é uma violência.

Para quem quer experimentar a minha dieta, aqui do hospital, aqui vão todas as informações:

Pequeno-almoço: 1 carcaça com doce de pêssego + 1 copo de leite meio-gordo sem lactose.
Meio da manhã: 1 pêssego em calda + 2 tostas médias sem nada.
Almoço: 1 sopa de legumes triturada + bife grande grelhado + arroz ou massa + 1 cenoura cozida (só como carnes brancas). 1 peça de fruta (pêssego em calda ou pêra cozida ou maça cozida ou banana)
Lanche: igual ao pequeno-almoço.
Jantar: sempre peixe branco, cozido ou grelhado, e o resto é igual ao almoço.
Ceia: 1 copo de leite sem lactose, 4 tostas médias com doce de pêssego.

Nota: pff variem no doce, o meu dietista é que deve ter uma pancada forte com o pêssego.

Nota 2: como já devem ter reparado, nada de sobremesas, e a bebida que me dão varia entre água e sumo de maça. Também não há café para ninguém. Não há vícios para ninguém.

Nota 3: as quantidades são de um adulto normal.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Riscos nos relógios

Comprei há quase um ano atrás, na Swatch, uma bisnaga que prometia tirar os riscos dos relógios, de seu nome Poliwatch. Agora que não tenho nada que fazer, experimentei, e funciona mesmo!

Para quem risca os relógios todos como eu, aqui está uma boa dica. A bisnaga custa cerca de 5€, é pequenina (mais ou menos do tamanho de um frasco de verniz) mas dá para limpar muitos swatchs, já que a quantidade de creme utilizada, também é reduzida. Ainda não sei se funciona noutras marcas, mas lá chegaremos.


Novas companheiras de quarto

Pois é, as minhas velhotas tem todas baixa, e eu vou ficando para semente.
A velhota que ressonava que se fartava, teve alta.
A velhota que estava sempre com frio, teve alta.
A velhota que só bebe líquidos teve alta no fim-de-semana, mas tem só que vir cá ao hospital passar mais uma noite, por prevenção, e depois vai à sua vidinha.

E eu aqui.

As novas personagens no meu quarto são: mais outra velhota surda (quando tento comunicar com esta, tenho que falar tão alto, que era capaz de jurar que as paredes estremecem) e a cereja no topo do bolo... uma cigana da minha idade. E portanto, já estão a imaginar a confusão, o barulho, o arraial de entra e sai, num quarto que já de si é pequeno, e que está cheio de camas e pacientes e visitas de outros pacientes. É a loucura absoluta.

Fujo a sete pés deste caos. Vou sempre para a sala das visitas. É impossível descansar a cabeça ali.

Das várias vezes que tive que ir ao quarto buscar qualquer coisa, uma das vezes a paciente cigana estava a dormir na cama, e estavam 3 mulheres, cada uma sentada numa cadeira, à roda da cama (como se estivessem à frente da lareira) de braços cruzados. Todas em silêncio.
Sinistro.

E eu, na minha ingenuidade, toda contente, a achar que ia ser tranquilo, porque a cigana é do Alentejo, e portanto a família estaria muito longe para a visitar. Hoje, até veio uma prima de Braga, sim leram bem, só para visitá-la.

E depois a ironia de outra velhota que está no nosso quarto, que tem 6 filhos, repito 6, já para não contabilizar netos e afins... E praticamente só recebe visitas ao domingo, muitas delas, claramente em sacrifício. A senhora, coitada, justifica-os dizendo que os filhos moram muito longe (tipo Sintra ?!) e que têm vidas muito ocupadas, têm que trabalhar. Os nossos velhotes são muito mal tratados. É uma tristeza.

Saí à rua

Desde quarta-feira que estava a ficar bastante deprimida por não estar com os meus filhos e com o F. E como é que isso se reflectiu? Deitava-me às 23h e acordava às 2 da manhã completamente desperta, ficava a ler, a passear na net para passar o tempo, isto até às 6 e tal da manhã, na maior, sem ponta de sono. E não dormia mais o resto do dia... Uma das médicas que me acompanha, alertada pelas enfermeiras deixou-me ir este sábado e domingo a casa. Saía do hospital às 07h00 da manhã (quando recebia a minha primeira medicação intravenosa) e depois tinha que regressar às 18h00 (para receber a segunda dose e ficar para dormir).

Feita à introdução, imaginam a minha alegria ao sair do hospital?

Saí de madrugada do hospital, e em passo acelerado, parecia que ia fugir à polícia, apanhei o táxi para casa, e fui na maior alegria a apreciar a paisagem da A5. Cheguei a casa e estava tudo a dormir. Fui espreitar a Benedita ao berço, depois fui ao meu quarto e estava o Nico a dormir na cama com o F.
Perfeito.
Mudei de roupa, enfiei-me na cama, e fiquei ali a vê-los dormir, a fazer festinhas no cabelo do Nico, a dar-lhe beijinhos e um abracinho. E quando o Nico acordou eu estava mesmo ao lado... o ar incrédulo é difícil de descrever.
E para o "compensar" dei-lhe um presente do tamanho do mundo, uma garagem toda xpto.

O resto do dia é fácil de adivinhar... As minhas crias estiveram o tempo todo em cima de mim, atrás de mim. Cola pura.

O fim-de-semana passou a correr, e agora é arranjar forças para ficar mais uma semana sem os meus filhos, enfiada nesta clausura.

domingo, 28 de julho de 2013

Bastidores do hospital

Calculei mal a roupa que deveria ter levado para o hospital. Pedi ao F. que me trouxesse as t-shirts que encontrasse lá por casa. Só encontrou uma, com a Mona Lisa a fumar um charro. Really?

Encomendei-lhe um verniz, as únicas informações que dei foram (um verniz rosa, marca sephora). Apareceu-me todo orgulhoso no hospital com 4 frascos de verniz da marca que tinha pedido, um rosa, um verde, um pérola e um cinzento. Por 4 vernizes pagou 5€. E ainda dizem que os homens não sabem fazer compras.

O F. tem sido o verdadeiro pombo-correio, á noitinha envio-lhe uma mensagem com os meus "discos pedidos" e a mercadoria não desilude (tirando a t-shirt da Gioconda), lá vem a acetona, o esfoliante, os cotonetes, a tesourinha... Carrega-me o telemóvel, vai ao quiosque buscar revistas que não lembram ao careca. Sai do trabalho e vem ter comigo ao hospital, fica por cá até as 21h00, depois vai buscar a criançada aos sogros, trata deles, outras vezes já estão tratados, e tenta curtir um bocado a criançada. E assim corre a nossa vida... E eu aqui no hospital, feita múmia. Estou a escrever este post e está a doer-me a alma.

A dieta do pêssego

Cada paciente no internamento de gastro tem uma dieta especifica, ninguém no meu quarto come a mesma coisa. A mim, calhou-me na rifa o pêssego. E nem os meus médicos que me acompanham, percebem muito bem porquê. O meu dietista (atenção não confundir com nutricionista), é um porreiraço, magrinho que só ele, deve ter mais ou menos a minha idade, trata-me por tu, e faz-me comer pêssegos como se não houvesse amanhã.

Como um pêssego em calda a meio da manha. Ao almoço como um pêssego em calda á sobremesa, ao lanche barro as minhas tostas com doce de pêssego ou marmelada de pêssego ( que nem sabia que existia) e assim vai a minha dieta. Tudo o resto é o clássico: peixe cozido e amigos, sopa sem graça nenhuma (espessa como eu não gosto), bife grelhado, frango grelhado, gelatina (que dou sempre ao F. porque para mim só gelatina royal), arroz, cenoura cozida. Eu que já estava enorme, vou sair daqui a parecer uma folha de papel.

Um grande bem haja para todas as mulheres que estão a fazer dieta.

Olá, eu sou a Raquel, tenho 34 anos, e nao como um único doce desde sexta-feira, dia 19 de Julho... acho que vou entrar para o Guiness.

sábado, 27 de julho de 2013

As companheiras de quarto

Quando estava a dar a entrada do meu processo no hospital, reparei que na dita sala estava um quadro duplo com a informação sobre os pacientes que estavam internados dividido por: quarto das mulheres e o quarto dos homens. E no quarto das mulheres a idade média rondava entre os 70 e os 80 anos. Salvo uma paciente, eu com 34. Pânico.

E se quando cheguei fiquei sozinha num quarto com 4 camas. Logo, logo uma paciente teve alta e passei a minha primeira noite, e as restantes, num quarto com mais 5 companheiras.

Temos a senhora que ressona alto e bom som, e eu não consigo dormir (só de tampões nos ouvidos), temos a outra que dorme vestida de robe, mais manta e está sempre com frio e a pedir para fechar as janelas (o quarto é um verdadeiro forno, não imaginam), temos a outra que raramente sai da cama e está de olhos abertos a olhar para o tecto (tem 6 filhos mas recebe muito poucas visitas) e, depois a 4a senhora que sonha com sardinha assada, e salada de polvo, e peixinhos da horta e coisas que tais (porque só tem ingerido iogurtes, batidos e chás no último mês da sua vida), e por fim a senhora surda, que não põe o aparelho no ouvido para não o perder (porque foi muito caro) e é também a fashion victim do pedaço, com camisas de noite todas para a frentex com girafas e robes orientais. E depois temos a "jovem" que sou eu, que desfila pelo hospital de boxers/ calções e t-shirts e havaianas (e que se recusa a usar robe porque é deprimente), tem pilhas de leitura na mesinha de cabeceira, e ajuda as velhotas a subir a cama, a puxar o estore, a apanhar coisas do chão, a aumentar o volume da tv...

Entre sestas, leituras e tv ainda falamos dos filhos, dos programas histéricos da tv portuguesa, das doenças (pois claro), vemos com muita atenção os noticiários da 13h e das 20h, debatemos tudo sobre o bebé real e tudo o que for o tema do momento. E assim passam os meus dias...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O português

Desculpem lá qualquer coisinha mas ando a escrever os últimos posts num iPad e, ainda não percebi muito bem a cena dos acentos. Umas vezes dá para por outras nem por isso. É preciso é ter calma.

É isso...

Ontem á tarde tive que fazer um exame, fui sedada para que todo o processo fosse tranquilo. Entretanto, quando o exame acabou, levaram-me de cadeira de rodas para o meu quarto. Deitei-me, completamente podre, e ferrei a dormir.

De repente, dei por mim com uma tia á beira da minha cama, apareceu no hospital de surpresa. Eu estava completamente atordoada, não me lembro de quase nada da conversa que tivemos no quarto mas lembro-me de um pergunta:

"O que é que vos deu (aos sobrinhos) agora para dar nomes católicos aos vossos filhos? Ele é  Francisco, Benedita, Mateus...?"

Não me lembro da minha resposta mas achei piada á pergunta.

Tortura

O Francisco não sabe que estou no hospital. Para ele eu estou a trabalhar. Hoje consegui falar com ele ao telefone (está zangado comigo porque eu nunca mais apareço) e ele do alto dos seus 3 anos e meio perguntou com voz triste "quando é que eu acabava o meu trabalho? Quando é que íamos para Viana (aka férias) ?". E eu juro que não sei como é que não desatei a chorar enquanto lhe dizia (e me dizia) que estava quase...

Não aguento mais. Tirem-me daqui!

Os mimos

Todos os dias tenho visitas. Família e amigos revezam-se para me fazer companhia. E porque estou a precisar de mimos, as visitas-fofinhas trazem-me revistas, palavras-cruzadas, anedotas, patinhas, livros, portátil com filmes incluídos, iPad com net grátis, pen com mais filmes, vernizes (encomenda que fiz ao F.), tampões para os ouvidos (porque uma das minhas companheiras de quarto ressona tanto que manda o hospital abaixo), elástico para o cabelo.

E claro, tive muitas propostas indecentes de comida (mas só posso comer comida de dieta do hospital) e até uma proposta legal de comida sem lactose e glúten (de uma amiga especialista). Tive que recusar. Quando sair daqui vingo-me. Santini, me aguarda!

A família e os amigos

Ninguém sabia que eu andava doente, nem o meu pai (só para terem uma ideia). E assim de repente tive que partilhar com o mundo que estava internada. Método utilizado? SMS. Caiu-me tudo em cima. E com razão. Toda. Mas não tenho jeito para estas coisas.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O check-in

Tudo foi um choque. O facto de ser internada (nunca pensei), o hospital, o facto de partilhar o quarto com mais 5 pessoas, o facto de achar que me ia pirar em três tempos (e vou ter que ficar internada pelo menos até segunda-feira), de ficar sem ver os meus filhos 2 semanas (já a contar com as ferias que passaram com os avos) de ficar enfiada num quarto 24 horas sobre 24 horas...

Internamento

Na sexta-feira de manha liga-me o medico para o telemóvel.

Medico: "Raquel como sabe os tratamentos gastro que fizemos não estão a fazer efeito. Hoje vai ter que ser internada. Tem que entrar no hospital até ao meio-dia."

Eu: "Nao da para ser depois do fim-de-semana?"

Medico: "Não."

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sobre as rugas. Really?

Li na Vogue que uma das formas de evitar rugas é... "(...) dormir de costas. Se dormir de lado vincará a pele. Ao longo do tempo, os vincos fixam-se, transformando-se em rugas indesejadas."

A sério, eles inventam com cada coisa! Eu, claro, adoro dormir de lado... E quero lá saber, já tenho tanta coisa com que me preocupar, agora já nem se pode dormir descansada! Alguém consegue dormir a noite toda na mesma posição? E a posição do morto (aka dormir de costas) não me parece nada confortável. Vá...

domingo, 21 de julho de 2013

Uma semana sem filhos

Dia 1
“Ah! O silêncio! Já nem me lembrava que dava para ouvir os pássaros lá fora…”
A fazer zapping na TV deixei inconscientemente nos desenhos animados.
Fico 30 minutos no sofá a descansar a fazer absolutamente nada.
Uma amiga vai jantar lá a casa.

Dia 2
Estou sem nada para fazer. Vou aproveitar para fazer milhares de coisas na rua.
Durmo a sesta antes do jantar.

Dia 3
Isto está um bocado silencioso. Estão-me a fazer falta os batuques na mesa da Beni, o barulho dos carros do Nico a cairem no chão. Preciso de mediar um conflito fraternal.

Dia 4
Estou tão descansada que acordo mais cedo sem despertador. Faço milhares de coisas de manhã cheia de energia. Arranjo-me com tempo. Jantar fora em família.

Dia 5
Foi muito giro mas estou a morrer de saudades da minha criançada. Preciso de trincar as bochechas do Nico e da Beni. Preciso de abraçar as minhas crias. Preciso de passear a Beni pelo dedo, preciso de fazer macacadas com o Nico.

sábado, 20 de julho de 2013

Sobre os saldos.

Actualmente muito fraquinhos, os ditos “descontos” são mesmo ridículos. Quase que não compensa o colar da nova etiqueta. A Zara é o exemplo mais flagrante nesta altura.
Não sei quanto a vocês, mas sempre que entro numa loja, principalmente nos saldos (mas não só) penso mil vezes “não posso comprar nada azul-escuro, não posso comprar nada azul-escuro, não posso comprar nada azul-escuro…”. Não que seja a minha cor favorita, mas as peças que costumo gostar têm sempre as mesmas cores disponíveis, e quando dou por mim, lá estou e eu a levar mais uma peça azul escura para casa. Assim de cabeça, lembro-me de 3 vestidos azuis escuros pelo joelho, 2 macacões azuis escuros de perna comprida, uma saia azul escura. Enfim a lista é extensa.

Até agora as aquisições estão a cumprir os 2 únicos requisitos: não têm a cor proibida e com bons descontos e/ou estava mesmo a precisar.


A minha mais recente aquisição são estas sandálias da Fly (em azul), e tenho cá para mim que vou descobrir o verdadeiro significado da palavra quando me espetar ao comprido na típica-escorregadia calçada portuguesa.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A música do momento



Boa sexta-feira! Correcção: Afinal fico-me por Lisboa mesmo. É castigo que é para não andar a escrever posts adiantados.


A nossa vizinha do andar debaixo é um espectáculo

Naquelas noites de calor que se fizeram sentir nas últimas semanas, nós deixávamos uma fresta da janela do quarto da criançada aberta. Na tentativa vã de fazer o ar circular. Numa dessas noites, antes do jantar a nossa vizinha do andar de baixo tocou-nos à porta. Estava lá em baixo, à entrada do prédio, e informou-nos que o nosso filho estava a atirar brinquedos pela janela. Reparem que não pus ponto de exclamação (porque a nossa vizinha é a tranquilidade em pessoa). E para quem não sabe, eu moro num 7º andar (dos altos).

O Francisco rifou um bebé da Benedita, um carro do tamanho de uma palma da mão, daqueles pesados de plástico duro e ainda uma ferramenta da sua mala de "ménico-doutor". E não acertou nem em pessoas, nem em carros.

O F. estava sozinho em casa com a criançada, e pediu à vizinha se podia guardar os brinquedos em sua casa (sim pusemos a vizinha à pesca dos brinquedos na rua) e depois passaríamos lá por casa a buscá-los. O que acabou por não acontecer porque a vizinha passou lá por casa a deixar a mercadoria.

A vizinha debaixo é super simpática e acessível, já tivemos uma fuga na casa de banho e ele pedia-nos com todo o jeitinho para resolvermos este problema o mais breve possível. Os novos vizinhos da frente ninguém dá por eles, os vizinhos de cima usam a casa como uma 2ª casa. Só não tivemos sorte com os vizinhos do lado... reciclávamos o cão, os adultos e ficavam só os filhos.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Rendida ao Pinterest

Tenho conta no Facebook mas não sou nada viciada. Posso ir de férias, fugir para a outra ponta do planeta que não sinto a menor falta.

Cheguei a abrir uma conta no twitter,mas fui lá duas ou três vezes. Simplesmente perdi-lhe o rasto.

Tenho Blog mas tenho pena de não ser tão disciplinada, ao ponto de escrever todos os dias um post. Gostava mesmo. Às vezes vou ao meu blog para ver se por alma e graça de espirito santo apareceu lá um post. É que escrevo muitos na minha cabeça, e só metade chegam ao mundo virtual.

E agora, e para variar, estou fã do Pinterest! Já abri a minha conta há um mês ou dois, recebo novidades no meu hotmail, e são verdadeiras fontes de inspiração.

E para quem não sabe o que é o Pinterest, a wikipedia tem uma boa definição:

"Pinterest é uma rede social de compartilhamento de fotos. Assemelha-se a um quadro de inspirações, onde os usuários podem compartilhar e gerenciar imagens temáticas" no meu caso escolhi os temas: crianças, decoração, fotografia, free printables... No fundo é uma rede de ideias sobre tudo e para tudo, do mundo inteiro.

"Cada usuário pode compartilhar suas imagens, recompartilhar as de outros utilizadores e colocá-las em suas coleções ou quadros (boards), além de poder comentar e realizar outras ações disponibilizadas pelo site.

Com fácil layout e rápido crescimento, tornou-se um novo meio de compartilhamento de imagens na internet. Foi eleito um dos melhores websites de 2011 pela revista Time".

Do que é que estão à espera?


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Benedita



Desde que o membro mais novo da família fez 1 ano, que ando para lhe dedicar um post (e já lá vão quase 4 meses de atraso). E só vos digo que não está fácil, não quero cair nos clichés, nas lamechices, mas de facto é inevitável. Costuma-se dizer "que não há amor como o primeiro" mas com os filhos o caso muda de figura.

Se há coisa que não percebo, é como é que é possível um pai preterir um filho ao invés do outro, beneficiar um em detrimento do outro? Sou filha única mas mãe de dois. E um dos meus grandes objectivos é que quando eu e o F.não estivermos cá para o que der e vier... que eles sejam os melhores amigos um do outro, pai e mãe num só, o braço direito, o pé esquerdo... you name it. Não sei o que é ter um irmão de sangue mas acho que idealizei bem a coisa.

E já fugi do tema principal, a Benedita, a sua vinda ao mundo começou envolta em alguma polémica, não só porque as reacções da família foram mais de espanto e/ou estes não tem TV em casa, passando pela escolha do nome, nada consensual. Depois decidiu nascer no meu último fim-de-semana de descanso, maior que o irmão em altura e peso, chegou ao mundo com a cara toda negra (o que nos impressionou a todos), e só com um dia de vida já estava a entrar num estudo do Hospital onde nasceu. Agarrou-se à mão do médico-estudioso com uma força que o impressionou.

Esta criançola "é de raça",e agora estou a citar a pediatra, e tenho cá para mim que vai longe.



terça-feira, 16 de julho de 2013

Ou cuco ou mocho

O F. diz que estou demasiado magra, que ele que me vê todos os dias, nota isso.

A empregada de uma amiga minha disse que tinha quase a certeza que eu estava grávida, que eu estava com cara disso.

Eu digo que estou na minha pior forma de sempre, muito magra, muito cansada e quase, quase a cair da tripeça. Estou exausta, e a precisar de férias! Um terceiro filho vinha mesmo a calhar.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Continente online

Somos bichos de hábitos, acomodamos-nos ao incómodo, ao trabalho desnecessário, a rotinas que não lembram ao diabo. Desde que nasceu o Francisco, e depois a Benedita eu e o F. arranjávamos grandes esquemas para não ter que os levar também ao supermercado, o problema é que depois atolados de compras, tínhamos também que carregar a criançada até casa. Muito prático como já estão a visualizar.

Esta semana caiu-me a ficha e fiz finalmente as minhas primeiras compras de supermercado online. E estou encantada. Eu que estou sempre a ver onde é que posso poupar, não me choca nada a taxa de 6€ para levarem as compras lá a casa. Na realidade, teria de gastar gasolina para me deslocar ao supermercado, perder pelo menos 1 hora do meu tempo precioso, carregar itens e família. Para nos "adoçar" a boca, o continente online oferece ainda um saco com amostras/ produtos, e só aqui já os 6€ estão mais que devolvidos. No nosso caso ofereceram um elixir, um pacote de tempero, uma água de sabores, uma amostra de creme hidratante e 2 vales de desconto.

Ah! E ainda dá para comprar os produtos da Farmácia Wells (que tem de longe preços mais competitivos que as farmácias tradicionais), o que para quem tem filhos e compra também produtos de beleza aqui, é simplesmente espetacular.

Estou fã. Agora ainda temos que fazer ajustes à nossa lista de compras e uma vez por mês é só carregar no enter.


domingo, 14 de julho de 2013

Se estão a ler este post

é porque estou oficialmente uma semana, sim leram bem, uma semana sem filhos! Foram recambiados, felizes e contentes para Tróia com os meus pais. Uma versão campo de férias mas em família.
Vai ser tão bom! Para todos, bom para mim pelo menos. Que ando de rastos! Eu se me encostar aqui ao portátil, ferro a dormir. Se fechar os olhos em andamento, em plena luz do dia, sou menina para dormir em modo sonâmbulo. Vou ali carregar baterias e já volto.

Era só para dizer...

que o Mateus chega em Dezembro. E eu já reservei o meu bilhete! Não vou dizer que escolhi os lugares da fila da frente, porque a coisa pode soar esquisita. Vá...

sábado, 13 de julho de 2013

O fenómeno da Mexicana

Os empregados mal se dignam a aparecer na esplanada, porque dá muito trabalho. Quando aparecem, lá se lembram que estão clientes à espera há horas, nem um sorriso, nem um cumprimento. Acho que é suposto serem mal-educados mesmo. Só pode ser requisito de contratação.

Os bolos não prestam, de todas as vezes que lá fui, a única frescura existente era na ventania que se fazia sentir na rua. Variedade de bolos nem vê-la. Em contrapartida, muitos tabuleiros cheios de bolachas de 1997 (no mínimo).

Para pagar temos que esperar também. Séculos. Acho que na última vez que lá fui passei a meia-noite à espera da conta...

E estava eu com os meus pais, os meus filhos e o F. a ter precisamente este discurso, e a perguntar ao F. "O que é que eu estou a fazer nesta pseudo-pastelaria?". Resposta pronta do F. "Porque é um clássico!".

O F. lá me fez a vontade e descemos um pouco mais a Guerra Junqueiro, e lanchámos numa pastelaria de jeito.

Confesso que não percebo como é que esta pastelaria ainda sobrevive... como costuma dizer a minha mãe: "Ganha fama e deita-te a dormir".




sexta-feira, 12 de julho de 2013

Bastidores e outras estórias do Baptizado

O F. ficou incumbido da tarefa de ir comprar os pratos e copos de papel para a criançada. Regressou do IKEA com copos e pratos azuis com ananáses. Really? O baptizado da Beni, onde a única exigência que eu tinha era que tudo fosse cor-de-rosa… quase que virava festa tropical! O F. não percebeu o meu aborrecimento.

Na véspera do baptizado, tivemos a festa de encerramento do ano lectivo do Nico. Um mega arraial que começava a partir das 18h00. Com tantas datas… tinha que calhar nesta. Claro que fomos, e ficámos até acabar, lá para as 23h e tal. Uns doidos.

À última da hora o F. lembrou-se que não tínhamos concha. Não encontrávamos a do Francisco, e lá por casa tudo tem que ter significado. Sondámos a família mais próxima, e concluímos que essas modernices de ter uma concha própria, são invenções de agora, lá está, e ninguém tinha concha. A nossa amiga beata-de-serviço deu-nos uma dica perfeita, o Padre Valter, que iria celebrar a cerimónia, gosta da opção de usar uma vieira. E lá me lembrei, que sim tínhamos muitas em Tróia, mas nenhuma em Lisboa… excepto uma, que a minha mãe tinha trazido há alguns anos de Santiago de Compostela! E no próprio dia arranjámos a concha.

A avó bordou a toalha, com um ponto tão especial que nem me lembro do nome. Repetiu-se a tradição de fazer a toalha de raiz, comprar o tecido, fazer bainhas,pontos XPTO, bordados e as iniciais da Beni.


A madrinha escolheu uma vela muito catita, onde mandou gravar o nome da Beni e a data do baptizado, e com medo de se esquecer da vela no dia do evento, deixou-a no carro. Com as altas temperaturas que se têm feito sentir, a vela ficou corcunda, e não voltou a ficar direita. A madrinha acabou por regressar às Velas do Loretto,e comprou uma nova versão. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Papelada


Sou uma pessoa muito prática, o que faz com que não tenha muita paciência para muita coisa, e que não desperdice tempo e recursos em coisas pouco úteis. Esta conversa toda para dizer que não compreendo esta nova moda das festas de crianças, todas ultra-hiper-mega-decoradas cheias de tralha na mesa, nas paredes, em todo o lado, papel e mais papel por todo o lado. Florestas e florestas devastadas para nada. Tanto papel que ficaria muito mais bonito em modo tronco e folhas. Já para não falar na desilusão que é quando nos aproximamos realmente da mesa, onde supostamente estão os doces e salgados, perdidos/ embrulhados/ disfarçados no meio do papel. Vai se a ver e no pratinho chique e fino só está um cupcake, e como é feio tirar o último “item” do prato, o dito cujo permanece imóvel no seu posto até ao fim da festa. Sou muito sincera, quando já sei que vou passar fome (e quem me conhece sabe que como muito pouco) como em casa antes da festa. Assim escuso de mudar de cor, para um verde-fome, permaneço feliz e contente, super chique, com um amendoim na mão a tarde/ noite toda.

Aqui ficam alguns exemplos. Dou um prémio a quem encontrar comida com substância. Boa sorte para vocês.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

É um rapazola!

E pronto, já temos veredicto: é um rapaz. Lá vai o Francisco cobiçar os carrinhos alheios, a Beni aproveitar o estatuto de prima mais velha e brincar aos bonecos com o bebé que não precisa de pilhas. Adivinho muita animação aqui para estes lados.

Só tenho um pedido, um pequenino, que venha ao mundo em qualquer dia menos... no dia 15 e no dia 18 de Dezembro. Muito agradecida.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Baptizado da Benedita

Superou as minhas expectativas.
Na igreja, o padrinho abriu a cerimónia a tocar uma música na guitarra, a mesma que eu e o F. íamos a ouvir quando estávamos no carro a caminho da maternidade. O arranjo musical que ele fez deixou-me muito emocionada. A madrinha leu um texto que dedicou à Beni, e no fim da sua leitura foi buscar o filho (o nosso sobrinho do coração) que também disse umas palavras muito queridas.
A cerimónia decorreu sem percalços, excepto no momento que nos aproximámos da pia baptismal, um verdadeiro berreiro. No fim o padrinho leu também um texto sobre o que era ser criança. O fotógrafo recrutado foi o marido de uma amiga nossa, e nosso amigo também.

O lanche foi na casa de fim-de-semana da madrinha, que nos deu a chave para a mão e carta-branca para fazermos o que quiséssemos. Redecorámos a casa em função do evento. Num placard enorme pendurado na parede, colámos fotografias de todos os convidados na companhia da Benedita (e à saída as fotos eram oferecidas em conjunto com o santinho). Para os adultos muita comida e bebida, para as crianças: um insuflável, gomas e rebuçados. Eles não precisavam de mais.

À despedida um brinde à Benedita, feito pelo pai, e um segundo brinde ao novo primo que chega em Dezembro, feito por mim. A família e os amigos aos poucos regressaram às suas casas. E alguns resistentes ficaram até às primeiras horas do dia seguinte. Fechámos o baptizado aos saltos no insuflável (eu, a minha tia, o meu primo, as crianças também vá…) a brincar às apanhadas, a fazer jogos de sombras na parede e a petiscar.


Cheguei a casa e senti um vazio enorme, fiquei mesmo triste. Passou a correr. Pensava que não dava para superar o Baptizado do Francisco, mas acho que deu um bocadinho.